O guardador
- oateliecpd
- 29 de jun. de 2018
- 1 min de leitura
Por Marcela Costa

Em um lapso de tempo no quintal, Matheus brinca com o tecido. Nos primeiros instantes de toque, percebe, desequilibra. Os pequenos furinhos causados pela própria trama dos fios são olhos. Então, corre.

Quem passou por perto, gritou e correu. Gritos de uma possível brincadeira de pega.
Logo, percebe-se a quantidade de recortes que há no tecido. Se atrapalha, cai, pega, vira e revira. Nota minha presença e pergunta:
- O você está fazendo?
- O que você faz com esse tecido? - eu respondo.
- É uma capa. Quer ver?
E, novamente, corre.


Já caminha segurando-o próximo da cintura, dando leves chutes e mirando uma jarra de plástico. Coloca-o todo ali. Com muito cuidado e força, sem querer deixar nenhum fio para fora.
O tecido vira líquido.


- E agora? - pergunto.
- Virou sopa. Vem ver.

Me mostra a jarra e me convida para assistir o despejar no balde.
- Eu guardei tudo aqui.